A
Conferência Internacional Dramaturgias
da Performance
surge dez anos após o
Simpósio Performance Arte Portuguesa: 2
ciclos para um arquivo,
que teve lugar no CCB, em Lisboa. Nesta
última década, a performance arte ganhou
reconhecimento histórico em contextos
periféricos, tornando-se um operador central
da cultura contemporânea a nível
internacional — facto que tem sido descrito
como a “era da performance” por autores como
McKenzie (2001), Lepecki (2016) e Sennett
(2025). Esta centralidade tem-se expandido,
inscrevendo uma relação entre procedimentos
de criação rastreáveis na arte da
performance e dinâmicas do sentido geradas
na relação dramatúrgica com diversos
contextos disciplinares ou temáticos.
Pensámos as dramaturgias da performance a
partir da barra oblíqua,
/. Esta barra serve-nos
como símbolo para sublinhar as extensões e,
ao mesmo tempo, hibridizações das áreas que
a performance tem abarcado. O sentido
oblíquo serve também para dar conta das
ambiguidades intrínsecas às dramaturgias da
performance.
O que são ou o que podem ser as dramaturgias
da performance? Como são construídas estas
dramaturgias nas diversas áreas que convocam
a palavra performance? Que diferenças e
semelhanças apresentam? O termo dramaturgia
é o mais adequado para todas as criações
performáticas?
Perguntar “o que é a dramaturgia?” é uma
questão que se apresenta cada vez mais
frequente e é também de resposta cada vez
mais escorregadia e imprecisa, num tempo em
que o termo tem ganho cada vez maior
appeal.
Como nos dizem Anne Hamilton e Water Chon no
seu livro
Dramaturgy the basics (Routledge
2023), na contemporaneidade, mais do que um
texto ou mesmo uma prática, a dramaturgia é
uma actividade ampla que permite uma
abordagem subjetiva de um tema e a sua
análise numa perspectiva de 360º. Dizem
ainda estes autores que “o que está no
coração da dramaturgia é o próprio coração”,
permitindo-nos colocar questões importantes
como “o que importa e por quê?” E “o que
significa ser humano?” Por isso, mais do que
uma ciência, a dramaturgia ou o papel dos
dramaturgistas apresenta-se como uma
sensibilidade criativa, especulativa e
catalítica e ao mesmo tempo investigativa,
laboratorial e problematizadora. Como
referem ainda Georgelou, Protopapa e
Theodoridou em
The Practice of Dramaturgy Working on
Actions in Performance
(Valiz 2016), com ou sem dramaturgos, a
dramaturgia “envolve todos os que participam
na concepção de um processo artístico”.
Por isso, a base da dramaturgia é
questionar, muitas vezes em conjunto,
assumir o papel do dramaturgista ignorante
frente a um problema ou problemática, como
salienta Bojana Cvejić em
The Ignorant Dramaturg (Sarma
2010), e de forma colaborativa e participada
fazer perguntas que impliquem e se
relacionem com o mundo contemporâneo,
assumindo, nas suas palavras, “incerteza”,
“risco” e “ousadia”.
Esse processo implica hoje não só dinâmicas
de entrelaçamento, tessitura e interconexão
entre diferentes culturas, técnicas e meios,
como referem Fischer-Lichte, Weiler e Jost
em
Dramaturgies of Interweaving, Engaging
Audiences in an Entangled World
(Routledge 2022), como implica conceitos
como cidadania, democracia radical e
agonística, posicionamento,
responsabilidade, entre outros. No
cruzamento com todos os sentidos conflituais
e oblíquos, a performance inscreve-se entre
vida e arte, enquanto Ágora, na contínua
re-escrita performativa do
corpo-arquivo-mundo.
A Conferência Internacional Dramaturgias da
Performance é organizada pelo Grupo
Performance & Cognição do Instituto de
Comunicação da NOVA, Universidade NOVA de
Lisboa (ICNOVA-FCSH-UNL), em parceria com o
Centro de Estudos Interdisciplinares,
Faculdade de Letras da Universidade de
Coimbra (FLUC-CEIS20).
A Conferência será um lugar de encontro
entre oradores convidados (Keynote
speakers), Workshops, Performances e
Comunicações ou Conferências-Performances de
diferentes vetores oblíquos das Dramaturgias
da Performance.
O dia 2/12 será dedicado apenas a Workshops,
alguns dos quais serão distribuídos pelos
dias da Conferência de 3- 5/12.