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© 2017 Cláudia Madeira

Dramaturgias da Performance

Conferência Internacional

Sobre

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Datas

2–5 Dezembro 2026

A Conferência Internacional Dramaturgias da Performance surge dez anos após o Simpósio Performance Arte Portuguesa: 2 ciclos para um arquivo, que teve lugar no CCB, em Lisboa. Nesta última década, a performance arte ganhou reconhecimento histórico em contextos periféricos, tornando-se um operador central da cultura contemporânea a nível internacional — facto que tem sido descrito como a “era da performance” por autores como McKenzie (2001), Lepecki (2016) e Sennett (2025). Esta centralidade tem-se expandido, inscrevendo uma relação entre procedimentos de criação rastreáveis na arte da performance e dinâmicas do sentido geradas na relação dramatúrgica com diversos contextos disciplinares ou temáticos.

Pensámos as dramaturgias da performance a partir da barra oblíqua, /. Esta barra serve-nos como símbolo para sublinhar as extensões e, ao mesmo tempo, hibridizações das áreas que a performance tem abarcado. O sentido oblíquo serve também para dar conta das ambiguidades intrínsecas às dramaturgias da performance.

O que são ou o que podem ser as dramaturgias da performance? Como são construídas estas dramaturgias nas diversas áreas que convocam a palavra performance? Que diferenças e semelhanças apresentam? O termo dramaturgia é o mais adequado para todas as criações performáticas?

Perguntar “o que é a dramaturgia?” é uma questão que se apresenta cada vez mais frequente e é também de resposta cada vez mais escorregadia e imprecisa, num tempo em que o termo tem ganho cada vez maior appeal.

Como nos dizem Anne Hamilton e Water Chon no seu livro Dramaturgy the basics (Routledge 2023), na contemporaneidade, mais do que um texto ou mesmo uma prática, a dramaturgia é uma actividade ampla que permite uma abordagem subjetiva de um tema e a sua análise numa perspectiva de 360º. Dizem ainda estes autores que “o que está no coração da dramaturgia é o próprio coração”, permitindo-nos colocar questões importantes como “o que importa e por quê?” E “o que significa ser humano?” Por isso, mais do que uma ciência, a dramaturgia ou o papel dos dramaturgistas apresenta-se como uma sensibilidade criativa, especulativa e catalítica e ao mesmo tempo investigativa, laboratorial e problematizadora. Como referem ainda Georgelou, Protopapa e Theodoridou em The Practice of Dramaturgy Working on Actions in Performance (Valiz 2016), com ou sem dramaturgos, a dramaturgia “envolve todos os que participam na concepção de um processo artístico”.

Por isso, a base da dramaturgia é questionar, muitas vezes em conjunto, assumir o papel do dramaturgista ignorante frente a um problema ou problemática, como salienta Bojana Cvejić em The Ignorant Dramaturg (Sarma 2010), e de forma colaborativa e participada fazer perguntas que impliquem e se relacionem com o mundo contemporâneo, assumindo, nas suas palavras, “incerteza”, “risco” e “ousadia”.

Esse processo implica hoje não só dinâmicas de entrelaçamento, tessitura e interconexão entre diferentes culturas, técnicas e meios, como referem Fischer-Lichte, Weiler e Jost em Dramaturgies of Interweaving, Engaging Audiences in an Entangled World (Routledge 2022), como implica conceitos como cidadania, democracia radical e agonística, posicionamento, responsabilidade, entre outros. No cruzamento com todos os sentidos conflituais e oblíquos, a performance inscreve-se entre vida e arte, enquanto Ágora, na contínua re-escrita performativa do corpo-arquivo-mundo.

A Conferência Internacional Dramaturgias da Performance é organizada pelo Grupo Performance & Cognição do Instituto de Comunicação da NOVA, Universidade NOVA de Lisboa (ICNOVA-FCSH-UNL), em parceria com o Centro de Estudos Interdisciplinares, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC-CEIS20).

A Conferência será um lugar de encontro entre oradores convidados (Keynote speakers), Workshops, Performances e Comunicações ou Conferências-Performances de diferentes vetores oblíquos das Dramaturgias da Performance.

O dia 2/12 será dedicado apenas a Workshops, alguns dos quais serão distribuídos pelos dias da Conferência de 3- 5/12.

Oradores Convidados

André Lepecki

André Lepecki

André Lepecki (Brasil, 1965) – Ensaísta, dramaturgista e curador independente radicado em Nova York. Professor Titular do Departamento de Estudos da Performance da New York University e Vice-Diretor Associado do Centro de Pesquisa e Estudos da Tisch School of the Arts, NYU. Doutor pela NYU. Editor de diversos livros sobre teoria da performance e da dança e autor de Exhausting Dance: Performance and the Politics of Movement (2006, em Portugal publicado em 2024 com o título Esgotar a Dança: A performance e a política do movimento); Singularities: Dance in the Age of Performance (2016); Idiorrítimia (2018); e Co(reo)imaginar: ensaios com a dança e a performance (2026). Curador de festivais e projetos para a Haus der Kulturen der Welt (HKW-Berlim), Museum of Modern Art Warsaw, MoMA PS1, a Hayward Gallery, a Haus der Kunst, a Sydney Biennale 2016, entre outros. Recebeu o “Best Performance Award 2008” da AICA/US pela co-curadoria e direção da remontagem de 18 Happenings in 6 Parts, de Allan Kaprow (Haus der Kunst, 2006; PERFORMA 07). Desde 2008, colabora em diversas ações da artista brasileira Eleonora Fabião. Em 2024, foi curador da exposição online Soiled – Paul McCarthy’s Early Performance Works (1971–76) para a galeria Xavier Hufkens.

Bojana Cvejić

Bojana Cvejić

Nascida em Belgrado (Jugoslávia) e radicada em Bruxelas desde 2001, é dramaturgista e escritora, cuja investigação abrange a teoria da performance, a teoria crítica, a filosofia e os estudos de dança. É autora de “Choreographing Problems: Expressive Concepts in European Contemporary Dance and Performance” (Palgrave Macmillan, 2015, Maska 2021 em esloveno) e co-autora de cinco livros, sendo o mais recente “Toward a Transindividual Self: A Study in Social Dramaturgy” (escrito em coautoria com Ana Vujanović, 2022). Cvejić é Professora de Teoria da Dança na Academia Nacional de Artes de Oslo. Está ligada à P.A.R.T.S. (Bruxelas) desde 2002, onde leciona teoria da performance e da dança e supervisiona o programa de teoria. Desde 1996, Cvejić criou, interpretou ou colaborou em inúmeras obras de teatro musical, dança e teatro na Europa como co-diretora, dramaturgista ou intérprete. Cvejić também foi co-autora de vários vídeos e videoinstalações que exploram a dança e a coreografia, como …in a non-wimpy way… (com Steve Paxton, 2013), WAR de Yvonne Rainer (2013) e Spatial Confessions (para a Tate Modern, 2014). A sua investigação em coreografia social, transindividualidade e dramaturgia prática leva-a, politicamente, a coorganizar plataformas coletivas de autoeducação e produção experimental (Performing Arts Forum, Saint-Erme desde 2005; TkH/Walking Theory 2001-17). Cvejić colabora com Jonathan Burrows na sua investigação sobre a sensação sentida da criação e a coreografia como meio de cognição motora.

Janaína Leite

Janaína Leite

Janaina Leite é atriz, diretora, dramaturga e pós-doutora pela Escola de Comunicação e Artes da USP. Nos últimos anos, em trabalhos como Stabat Mater, Camming 101 Noites e História do Olho - um conto de fadas pornô noir, vem pesquisando as relações entre teatro e pornografia, interessando-se especialmente por linguagens híbridas e pela perspectiva ob-cena, que aproxima teatro e performance, arte e vida, explorando as fronteiras difusas entre práticas artísticas e antropológicas. Em 2024, a convite do Lift Festival, em Londres, e da companhia Clean Break, estreou The Trials and Passions of Unfamous Women, aproximando práticas jurídicas e teatro. Seu último trabalho, Deeper, é uma experiência imersiva em realidade virtual, na qual investiga o universo digital e os estados dissociativos de consciência em situações-limite. A pesquisa deu origem também à palestra performance O corpo material e imaterial em suas borderlines apresentada no Brasil, Chile e Portugal. Aliando teoria e prática, publicou, em 2014, pela Editora Perspectiva, o livro Autoescrituras Performativas: do Diário à Cena e, em 2025, lançou O Feminino e a Abjeção - Ensaios sobre a (Ob)cena Contemporânea pela Annablume. Seus trabalhos já foram apresentados em países como França, Espanha, Portugal, Chile, Bélgica, México, Holanda e Alemanha. Desenvolve agora o projeto inédito "A caixa preta ou how to hide the turtle" sobre morte e imagem na era digital. Mais info: https://www.janainaleite.com.br/

Mais: https://www.janainaleite.com.br/

Paulo Filipe Monteiro

Paulo Filipe Monteiro

Professor Catedrático da Universidade Nova de Lisboa: fundador do Mestrado em Artes Cénicas; coordenador da variante de Linguagens Cénicas e da variante de Comunicação e Artes do Doutoramento em Ciências da Comunicação. Actua nas seguintes áreas de investigação: drama, espectáculo, performance, cinema, cinema português, escrita para cinema e televisão, ficção e estética. Foi professor convidado em várias Universidades da Europa e Brasil. Foi presidente da Associação Portuguesa de Argumentistas e Dramaturgistas e fundador e membro da direcção da Federation of Scriptwriters in Europe. Recebeu o Prémio Joaquim de Carvalho para o livro Drama e Comunicação (posteriormente editado no Brasil pela Annablume) e o Prémio Revelação da Crítica de Teatro. Fez a dramaturgia e encenação de 16 espectáculos. Como actor, participou ainda em várias peças, em 11 longas-metragens portuguesas e estrangeiras e em 50 telefilmes e séries de televisão. Escreveu 9 longas-metragens. Escreveu a peça de teatro Área de Risco, estreada em 1999 na Fundação Gulbenkian. Fez dramaturgia para espectáculos de dança. Realizou o filme de 25 minutos Amor Cego. Estreou em 2017 a sua primeira longa-metragem, Zeus, exibida em 4 continentes e que obteve 12 prémios nacionais e internacionais. Estreou em 2020 uma curta-metragem de screendance, Pas de Quoi, exibida em Portugal, EUA e México e que ganhou o Prémio do Público no Festival InShadow. Em 2025, estreou uma nova longa-metragem, Noites Claras, apresentada em vários festivais.

Sarah Fdili Alaoui

Sarah Fdili Alaoui

Sarah Fdili Alaoui é coreógrafa, bailarina, analista de movimento Laban e professora assistente no Creative Computing Institute, University of the Arts London, nas áreas de design de interação, interação entre humano e computador, bem como a dança e tecnologias. É doutorada em Arte e Ciência pela Universidade Paris-Sud 11 e pelos institutos de investigação IRCAM-Centre Pompidou e LIMSI-CNRS. Possui um mestrado pela Universidade Joseph Fourier e uma licenciatura em Engenharia pela ENSIMAG em Matemática Aplicada e Ciências da Computação, além de cerca de 30 anos de formação em ballet e dança contemporânea. Os seus interesses de investigação incluem a interseção entre o design de interação e a criação de dança e coreografia. Sarah Fdili Alaoui tem sido a iniciadora de um vasto número de projetos de investigação artística e colaborações com bailarinos, coreógrafos e tecnólogos para criar espetáculos de dança e instalações interativas, bem como sistemas de apoio à coreografia e à aprendizagem da dança, documentação e arquivo. Mais: https://saralaoui.com/

Chamada de Propostas

Convidamos investigadores e artistas a apresentar propostas de comunicação, conferência-performance, performances ou outros formatos (dentro da logística possível de conferência e dentro de um limite temporal de 15 minutos), em português ou inglês, tendo em conta os vetores oblíquos que apresentamos acima no texto.

Áreas Conceptuais Sugeridas

• Performance / Realidade e Ficção
• Performance / Arquivo e Reportório
• Performance / História
• Performance / Reenactment
• Performance / Ecologia
• Performance / Tecnologia
• Performance / Quotidiano
• Performance / Participação
• Performance / Fotografia
• Performance / Vídeo
• Performance / Política
• Performance / Ritual
• Performance / Metaperformatividade
• Performance / Público
• Performance / Som
• Performance / Intimidade
• Performance / Género
• Performance / Cognição
• Performance / Literatura e Narrativas
• Performance / Coreografia

Directrizes para as Propostas

Aceitamos propostas em inglês ou português, num documento único em formato PDF (até 10 MB). As propostas devem incluir:

  • Título da proposta
  • Identificação da autora/do autor (nome, afiliação institucional, uma breve biografia, país e correio eletrónico)
  • 3 a 5 palavras-chave
  • Resumo (300–500 palavras) com uma breve bibliografia
  • Opcionalmente 1 ou 2 imagens

As propostas devem ser enviadas através do formulário disponível.

Datas e processo de seleção

Período de Submissão 15 Maio – 31 Julho 2026
Avaliação Revisão por pares em dupla ocultação
Notificação Até 7 Setembro 2026
Data Limite de inscrição 30 Setembro 2026
Publicação Uma seleção das comunicações da conferência será incluída na RCL [Revista de Comunicação e Linguagens], a publicar em 2027 pelo Instituto de Comunicação da Nova, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa.

Inscrições

Estudantes de Mestrado ou Doutoramento €75
Docentes ou Investigadores €150
Estudantes e docentes/investigadores da NOVA FCSH sem custos de inscrição

Pagamento da inscrição

PT50 0018 000321419114020 13
dgfc@fcsh.unl.pt
info

Depois do pagamento, solicitamos o envio de comprovativo para o seguinte endereço de email: dramaturgiesofperformance@fcsh.unl.pt

Workshops

Quatro oficinas práticas acompanham a conferência, orientadas por artistas e investigadores convidados. As vagas são limitadas — recomenda-se inscrição antecipada.

Compondo com a geração de movimentos por IA

com Sarah Fdili Alaoui

Data
2/12/2026, 9:30–12:30 (3 horas)
Número limite de participantes
15
Idioma
Inglês com a possibilidade de tradução para o português
Sinopse

Este workshop centra-se na composição de movimentos gerados por IA, explorando o modo como os bailarinos usam a inteligência artificial enquanto ferramenta criativa de composição para gerar e transformar material coreográfico.

O workshop irá apresentar a ferramenta KorAI, desenvolvida no âmbito do doutoramento do meu aluno Léo Chédin, dando a conhecer as suas principais funcionalidades e fluxo de trabalho. Após esta introdução de vinte minutos, o tempo restante será dedicado à experimentação prática com 15 participantes bailarinos.

Os participantes serão divididos em grupos de três para garantir uma moderação eficiente e evitar problemas técnicos. Idealmente, cada grupo terá acesso a um computador e a uma pen USB, caso a ligação à Internet seja instável.

Os participantes irão explorar e compor sequências de movimentos geradas previamente utilizando um modelo treinado com um vasto conjunto de dados de movimentos de dança e de repertório. Os bailarinos poderão dar instruções ao modelo e utilizar o KorAI para editar e visualizar os movimentos gerados, de modo a criar sequências de dança completas. Os bailarinos serão encorajados a incorporar as composições que desenvolverem coletivamente dentro dos seus grupos.

No final do workshop, cada grupo irá apresentar e partilhar a sua composição. Os grupos serão convidados a refletir sobre o processo, o que dele resultou e sobre aquilo que consideraram interessante ou limitativo no trabalho com a ferramenta e com o material de movimento gerado por IA.

Preço
35€

Escrita como montagem – sampler, colagem e repost na era digital

com Janaína Leite

Data
2/12/2026, 13:30–16:30 (3 horas)
Número limite de participantes
25
Idioma
Português com a possibilidade de tradução para o inglês
Sinopse
A oficina parte da ideia de que a escrita já não se limita ao gesto individual e original, mas também se constrói a partir de procedimentos de apropriação, montagem e recombinação. Amparada por uma pesquisa de quase duas décadas sobre o documento na arte contemporânea, a diretora e pesquisadora Janaína Leite convida os participantes a pensar formas de criação dramatúrgica que emergem do diálogo e da composição entre diferentes arquivos textuais, visuais e sonoros.
Preço
35€

Uma cidade-arquivo comunitária

com Márcio Carvalho

Data
2/12/2026, 17:00–20:00 (3 horas)
Número limite de participantes
10
Idioma
Português e inglês (sessão bilíngue)
Sinopse

Este workshop tem a cidade de Lisboa como objeto de estudo. Pretende-se identificar patologias no cidadão, influenciadas pelo legado patrimonial colonial da cidade e sua atual ressignificação enquanto cidade-investimento. Com base na biografia pessoal dos participantes e suas relações com a cidade, serão desenvolvidas metodologias performativas para a ocupação do espaço público e para a criação de formas alternativas de transmissão memorial.

Luso-angolano, Márcio Carvalho partilha os antepassados de duas geografias distintas, com sistemas epistemológicos e de crenças distintas, e é a partir deles que complica as noções de memória autobiográfica e coletiva. O seu trabalho artístico examina a vida pública e os arquivos, a memória autobiográfica e a memória coletiva, com foco nos atos de recordar e suas influências biológicas, culturais e sociais. Seja através do desenho, do filme, da instalação ou da performance, a arte de Márcio Carvalho tenta criar modos de participação pública, onde as realidades históricas e memoriais da cidade são desafiadas e co-criadas por grupos de cidadãos e suas memórias. Os seus projetos artísticos tentam separar a memória e o ato de recordar da ideia tradicional de arquivo –repositório fixo de informação –para dar à atividade memorial o estatuto de atividade social, discursiva e prática cultural, garantindo assim que a memória e os processos que a criam permançam um processo criativo, efémero, contínuo e inacabado. Carvalho é Mestrado em Artes Performativas na Hochschulübergreifendes Zentrum Tanz Berlin e candidato a Doutoramento na Faculdade de Belas Artes de Lisboa. Carvalho participou em eventos e projetos artísticos em cinco continentes, onde teve a oportunidade de colaborar com artistas, curadores e comunidades locais.

Preço
35€

Partituras: da performance à dramaturgia social?

com Bojana Cvejić

Data
3/12/2026, 17:00–20:00 (3 horas)
Número limite de participantes
20
Idioma
Inglês com a possibilidade de tradução para o português
Sinopse

Este breve workshop irá explorar a partitura como uma ferramenta idiossincrática na dramaturgia que emerge do processo. Há duas linhas de investigação que se cruzam aqui. Em primeiro lugar, enquanto dispositivo gerador da performance, a partitura pode reconfigurar a autoria (através da forma aberta, da delegação, da participação, da dissipação) e explorar as fronteiras entre o carácter processual e o carácter especulativo de uma obra de arte. Em segundo lugar, ao migrar de questões sobre o modo como estrutura para aquilo que possibilita, a partitura produz um excesso social – uma espécie de coreografia social que pode ser deduzida quando se reimaginam as relações vividas através de e para além da partitura. Neste sentido, a partitura alarga-se ao âmbito da organização política e social, tanto como ferramenta analítica como enquanto medium para a performance.

Traga uma partitura de uma obra de arte ou de uma performance que estimule a sua imaginação artística, social ou política. Escolha uma partitura que não seja da sua autoria.

Bibliografia recomendada

  • Cvejić, Bojana. ‘What do you do when you get in the studio?” On searching, having, and letting go of methods…,” Dramaturgy at Work: Threading through Experimental Dance, Performance and Theatre (Routledge, forthcoming).
  • Freeman, Jo. “The Tyranny of Structurelessness.” Berkeley Journal of Sociology 17 (1972): 151–164.
  • Sperlinger, Mike. “Orders! Conceptual Art’s Imperatives.” In Afterthought: New Writing on Conceptual Art, edited by Mike Sperlinger, 1–26. London: Rachmaninoff’s, 2005.
  • Van Imschoot, Myriam. “Rests in Pieces: On Scores, Notation and the Trace in Dance.” Multitudes, no. 21 (2005): 107–116.
Preço
35€

Comissão Organizadora

Direção da Conferência

  • Cláudia Madeira (ICNOVA-UNL)
  • Fernando Matos Oliveira (CEIS20-UC)

Produção Executiva

Cláudia Madeira e Miriam Freitas

Comissão Organizadora

Cláudia Madeira, Letícia Moro, Liz Vahia, Marta Aksztin, Miguel Simões, Miriam Freitas, Raquel R. Madeira, Silvia Pinto Coelho.

Coordenação Workshop & Performances

    Cláudia Madeira, Carla Fernandes, David dos Santos, Jorge Louraço Figueira, Raquel R. Madeira, Sílvia Pinto Coelho, Verónica Metelo.

Comissão Científica

Ana Pais, António Figueiredo Marques, Carla Fernandes, Clara Gomes, Cláudia Madeira, David dos Santos, Fernando Matos Oliveira, Filipe Figueiredo, Francesca Negro, Jorge Louraço Figueira, Miriam Freitas, Nuno N. Correia, Paula Varanda, Paulo Filipe Monteiro, Pedro Florêncio, Sandra Guerreiro Dias, Sílvia Pinto Coelho, Vânia Gala, Verónica Metelo.

Contactos

Em caso de dúvida, contacte-nos através do seguinte endereço de e-mail: dramaturgiesofperformance@fcsh.unl.pt

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